"Diz-se que as revoluções têm um mau futuro. Mas não param de misturar duas coisas, o futuro das revoluções na história e o devir revolucionário das pessoas.(...). A única oportunidade dos homens está no devir revolucionário, o único que pode conjurar a vergonha ou responder ao intolerável."
Deleuze - Controle e devir - Conversações - entrevista a Toni Negri - 1990
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
A Fissura VII - Bichuetti completa trilogia inspirada em Porcelana e Vulcão, de Deleuze
Rizoma Uzina - Utopia Ativa
DEPENDÊNCIA QUÍMICA :
AVENTURA VIAGEM OU SERVIDÃO
( III )
A FISSURA
( II )
Um espectro de morte ronda os lisérgicos vôos da fissura... A morte impessoal... Um acontecimento...
Na fronteira, os tempos se enovelam e se impera uma presentificação do futuro e do passado.
Só uma grande saúde livra e libera o indivíduo de efetuar uma inscrição, uma incorporação, uma tatuagem desta "porcelana esfacelada" no corpo, interiorizando uma feroz e incontrolável destrutividade.
O endurecimento absoluto do presente inibe a caminhada e o processo de vida.
Para limitar, impedir , inibir a inscrição deste acontecimento no corpo, é necessário uma contra-efetuação:" dar a chance da fissura sobrevoar seu campo de superfície incorporal sem se deter na quebradura de cada corpo", pois "a fissura é nada se não compromete o corpo" ( p. 164).
Deleuze determina sua análise, num movimento de esperança e afirmação das potência inventivas da vida:
-" Não podemos renunciar à esperança de que os efeitos da droga ou do álcool( suas "revelações") poderão ser revividos e recuperados por si mesmos na superfície do mundo, independentemente do uso das substâncias, se as técnicas de alienação social que os determinam são convertidas em meios de exploração revolucionários" ( p. 164-165)
- Metralhamento da superfície para transmutar o apunhalamento dos corpos, ò psicodelia" (p. 165)
Uma sobriedade psicodélica, surreal e insurgente
A sobriedade cinzenta, alienada, de repetições restritivas e normôticas vulnerabilizam o indivíduo que na fissura se vê desarmado e não contra-efetua uma desterritorialização criativa e inventiva, multicolorida e estelar, sem expor seu corpo, que é um corpo estriado com quebraduras ávidas dos miasmas da fissura...
Uma vida metamorfoseante, de singularidade e multiplicidade, de corpo alisado pelas experimentações que se realiza e gera linhas de fuga, torna-se um corpo apto à contra-efetuação, ou seja, um corpo onde as lavas do vulcão não o penetra, nem corre em suas veias a porcelana pulverizada da fissura...
A fissura não se inscrevendo, nem penetrando as entranhas do seu corpo, é estrela cadente, vagalume moribundo ou fogo fátuo...
Cuidar, assim, é liberar o homem das alienações que o distancia da diferença, da singularidade, da multiplicidade, das redes rizomáticas e dos devires... Liberado destas alienações ele toma posse do que pode uma vida que livre borboleteia nos horizontes mágicos do novo, da criatividade e das atualizações insurgentes de virtualidades transcósmicas.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Tributo Lewis Carroll I - Jabberwocky - nonsense poem
Esse post é dedicado ao meu filho, Maurício"o lugar privilegiado de Lewis Carroll provém do fato de que ele faz a primeira grande conta, a primeira grande encenação dos paradoxos do sentido, ora recolhendo-os, ora renovando-os, ora inventando-os, ora preparando-os."
Deleuze - Lógica do sentido
Jabberwocky
Lewis Carrol
‘Twas brillig, and the slithy toves
Did gyre and gimble in the wabe:
All mimsy were the borogoves,
And the mome raths outgrabe.
“Beware the Jabberwock, my son!
The jaws that bite, the claws that catch!
Beware the Jubjub bird, and shun
The frumious Bandersnatch!”
He took his vorpal sword in hand:
Long time the manxome foe he sought—
So rested he by the Tumtum tree,
And stood awhile in thought.
And, as in uffish thought he stood,
The Jabberwock, with eyes of flame,
Came whiffling through the tulgey wood,
And burbled as it came!
One, two! One, two! And through and through
The vorpal blade went snicker-snack!
He left it dead, and with its head
He went galumphing back.
“And hast thou slain the Jabberwock?
Come to my arms, my beamish boy!
O frabjous day! Callooh! Callay!”
He chortled in his joy.
Twas brillig, and the slithy toves
Did gyre and gimble in the wabe:
All mimsy were the borogoves,
And the mome raths outgrabe.
Jaguardarte
tradução de Augusto de Campos
Era briluz. As lesmolisas touvas
Roldavam e relviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.
“Foge do Jaguadarte, o que não morre!
Garra que agarra, bocarra que urra!
Foge da ave Felfel, meu filho, e corre
Do frumioso Babassurra!”
Êle arrancou sua espada vorpal
E foi atrás do inimigo do Homundo.
Na árvora Tamtam êle afinal
Parou, um dia, sonilundo.
E enquanto estava em sussustada sesta,
Chegou o Jaguadarte, ôlho de fogo,
Sorrelfiflando através da floresta,
E borbulia um riso louco!
Um, dois! Um, dois! Sua espada mavorta
Vai-vem, vem-vai, para trás, para diante!
Cabeça fere, corta, e, fera morta,
Ei-lo que volta galunfante.
“Pois então tu mataste o Jaguadarte!
Vem aos meus braços, homenino meu!
Oh dia fremular! Bravooh! Bravarte!”
Êle se ria jubileu.
Era briluz. As lesmolisas touvas
Roldavam e relviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.
Carroll, Deleuze e a literatura de superfície
Carroll, Deleuze e a literatura de superfície
" Deleuze concede a Carroll o lugar privilegiado de ter feito a primeira mise em scène dos paradoxos do sentido na literatura, de ser o inventor da literatura de superfície, pois através do paradoxo se destitui a profundidade e as coisas se mostram na superfície. O humor é esta arte de superfície, contra a velha ironia, arte das profundidades e das alturas. Por isso Carroll, elegendo o paradoxo como sua arte básica, é o autor da superfície, como os estóicos foram os filósofos da superfície, também eles adeptos dos paradoxos. Ao contrário do senso comum que afirma um sentido único, o paradoxo afirma dois sentidos ao mesmo tempo. Daí que as inversões/reversões de Alice (na ordem do tempo, reversões de proposições, reversões de causa e efeito, etc.) surgem como um paradoxo da identidade infinita e conduzem à contestação da identidade pessoal de Alice, tema que atravessa suas aventuras. Segundo Deleuze, a descida de Alice nas profundidades do poço dá lugar a movimentos laterais de expansão, a profundidade se faz superfície, os animais dão lugar à figuras de carta, sem espessura. Não há aventuras de Alice, diz Deleuze, mas uma aventura: sua ascensão à superfície (por isso, crê o filósofo, duvidosamente, desistiu de do título inicial da obra Alice´s adventures under ground ). A obra de Carroll joga permanentemente com a dualidade dos sentidos, com a proliferação indefinida dos mesmos, com a criação de jogos sem regras definidas e contraditórias entre si, etc. O não sentido na filosofia do absurdo se opõe à ausência de sentido, produzindo um excesso de sentido. É o que Deleuze entende por non-sense identificando-o, portanto, ao paradoxo... "
Sebastião Uchoa Leite
A Fissura VI - por Jorge Bichuetti
Rizoma de Blogs
Uzina-Utopia Ativa
DEPENDÊNCIA QUÍMICA: AVENTURA, VIAGEM OU SERVIDÃO
( II )
A FISSURA (A)
Madrugada, seresta, sereno... Estrela da manhã...
Silêncio nos ruídos;
ruídos no silêncio...
Uma taça de cristal na mesa, luz vermelha...
Um corpo nu na calçada, sedução...
A vida gira e girando move-se,
não vê, nem escuta o que se dá na escuridão...
Luzes vermelhas clareiam, mas só clareiam o beijo e a conjunção...
De repente, um canto... Canto de sereia? ...
Um diabo do redemoinho? uma encruzilhada...
A sobriedade de muitos hoje não, se corrompe,,,
Ea a taça de cristal se quebra, caindo nua no chão...
A fissura se impôs, feito um vulcão...
***
Um homem vivendo sóbrio durante longos dias...
Um casal amando-se como se o amor fora um bem da eternidade...
Sem motivos, sem causalidade, uma fissura quebra a sobriedade e põe fim na ilusão de uma felicidade sem fim.
***
Como entender? Como cuidar?
" A fissura não é nem interior nem exterior, ela se acha na fronteira, insensível, incorporal, ideal." p 158
Se é da fronteira, pode-se inferir que é produtudo de uma desterritorialização maximizada...
Desterritorializada, mantêm relações complexas com o universo das interferências e dos cruzamentos; vivenvia junções saltitantes...onde o o direito ao risco e à liberdade são agenciadas pela idéia da da morte como acontecimento, uma morte impessoal...
***
Valendo-me de Foucault, para resgatar aqui a idéia de caixa-de ferramentas, recordo Pierre Weil que identificava no desejo de autodestruição, um desejo de morte do ego e de reinvenção da vida..
***
De fato. a fissura recria a gramática e a pessoa passa a se pensar num passado composto; que é um passado que incuindo o presente permite bifurcações...
***
A fissura é um vulcão...
Dela, não se pode sair retrocedendo-se... pois o cristal está fragmentado, a porcelana quebrada...
***
Que fazer?
Deleuze propõe uma contra-efetuação...
Se o canto da sereia seduziu...
Se o redemoinho do diabo nos capturou...
Se algo rompeu e se esfacelou... E se isssi ocorreu na superfície, e não nas profundidades que estamos acostumados a reprimir, Só há uma uma saída...
Ele a nomeou de psicodelismo....
Desterritorializamos tanto, que ou inventamos sem agentes deletérios e mortíferos uma nova vida, ou não sobrevivemos...
A loucura, a alegria, o prazer e a utopia sempre estão condicionados a agenciamentos químicos: e daí a fissura como morte...
Necessitamos de incorporá-los como modo de vida e horizonte de sonhos...
O vulcão lançará sua chamas, mas já teremos construído uma vida para além dos ocos e abismos das toxinas vulcânicas...
Uma vez que a liberdade será um plano afirmativo construído na desterritoialização, mas gerando uma nova territorialidade solidária , terna, meiga e psicodélica.
Diferença
"Tirar a diferença de seu estado de maldição parece ser, assim, a tarefa da filosofia da diferença."
Gilles Deleuze
sábado, 4 de dezembro de 2010
Fissura V - poema
FISSURA
Era uma flor de cristal,
uma estrela cintilante,
um caminho, uma vida
com a dor dela distante...
O cristal despetalou-se...
da liberdade arteira...
Agora, esta fissura
é um oco, um abismo,
que só o vôo da ternura
pode num psicodelismo
reinventar o caminho,
reatar os fios e os elos,
da vida de passarinho...
Voa, então, liberdade;
andarilha se aninhe
e efetue sua viagem
com asas de passarinho...
Voa, voa, liberdade,
deslize pela fronteira,
devind-se vida plena
Por falar em A Fissura IV - Deleuze e o álcool - Daniel Lins
Clique na imagem e veja a palestra do Daniel Lins "Deleuze e o álcool", apresentado pelo Luis Orlandi. Pensamento-Vida.
A Fissura III - O cristal
O que mais gosto de Porcelana e Vulcão, de Deleuze (Lógica dos sentidos), é o to crash. The crash up. A louça trinca. Por que trinca? Não interessa. Trinca. Não é buraco fundo, acabou-se o mundo. É na superfície.
Que elegância a do fissurado Deleuze ao roubar o fissurado Fitzgerald. Rouba para levar o crash up mais longe. Numa só expressão o conceito, o diagnóstico e o remédio. FISSURA.Literatura, filosofia e medicina.
No fissurado Burroughs, Deleuze presta homenagem a psicodelia que contra efetua duplamente. Atingir o efeito das drogas por outros caminhos que não o mergulho de morte nas drogas e no alcool!
Porcelana e Vulcão poderia se chamar também de O cristal ou O Aleph. E deveria ganhar o Prêmio Nobel de Literatura. É belíssimo como escrita mesmo. Aliás, é completo: literatura, filosofia, clínica e ética. Num dos pontos altos do texto, Deleuze chama pro pau os especialistas em fissura!!! E aí, diz ele, vamos ficar dando conselhos? Ou vamos experimentar a fissura? Sim. A fissura é um campo, uma potência. Pode-se realizá-la, sobrevoando seu campo, sem se destruir o corpo.
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
A Fissura - II
DEPENDÊNCIA QUÍMICA:
AVENTURA, VIAGEM OU SERVIDÃO
( I )
Comumente, diabolizamos a problemática da dependência química... Vemos desvio, delinqüencia, autodestrutividade, mimetismo social, rebeldia, marginalidade...
Normôticos, olhamos para os que vivenciam as experiências com drogas e os condenamos... Dizemos simplificando o problema: procuram a morte com as próprias mãos...
Este é o pensamento policialesco e normatizante, higienista e moralizante.
Não é um consenso...
Frei Beto , no texto " Vida, sim; drogas, não", para a revista Caros Amigos, declara que ninguém suporta a normalidade. Sugere que só possível superar uma dependência química através de uma paixão, de uma causa amorosa, política, ética, estética ou existencial...
"A normalidade é a mediocridade institucionalizada" ( Miziara, L. In: A Salamandra)
Rotelli chama a atenção para a função de amplificador da consciência das drogas; e assinala que elas não são em si o problema, mas a compulsão que gera um funcionamento à maneira dos buracos negros que esvaziam o sentido da vida e da caminhada. Eles a procuraram porque desejam algo mais do que lhe era oferecido pelo sistema, pela racionalidade técnico-instrumental, pelo modo de viver da subjetividade capitalística. Assim, conclui que aos processos de reabilitação necessitam serem mais sedutores do que o mundo das drogas...
Cuidamos e , depois, os vemos recaídos; contudo, nosso cuidado é um arranjo ortopédico de recuperação da vida anterior , já esgotada no momento da busca da droga.
Deleuze chega com contribuições valiosas...
O uso da droga , para ele, é uma experimentação vital; cujo perigo mora no buraco negro da repetição compulsiva, na ausência de uma linha e fuga( plano de consistência) que permitiria o indivíduo voltar desta desterritorialização de alta intensidade e incomensurável velocidade, sem cair no vazio novamente ou na rotina cinzenta negada.
Acrescenta mais: antes o homem funcionava investindo sua energia e desejo no campo mnésico e dos afetos, que se mantinham eternizados no inconsciente como representações...
Agora, diagnostica uma mudança neste investimento: investimos nas percepções...
Percepções micro e macro que dilatam o mundo e o subtrai do terrível desencantamento imposto pela lógica mercantil, prática e funcional.
Deste modo, podemos dissolver os preconceitos e pensar o uso compulsivo e a própria fissura.
O uso compulsivo de drogas pode vincular:-se:
- a própria química;
- cultura do tudo posso, um funcionamento narcísico, onipotente e fálico;
- reverberações dos fantasmas da cena primaria;
- o efeito gangue - grupalidade/ tribo/ grupo assujeitado;
- a ausência de planos de consistência para sustentar novos investimentos no universo das percepções;
-e o império das reproduções com esgotamento do instituído;
- falta de uma paixão e causa-paixão;
- e a própria insufiência de uma vida que permanece desencatada, estriada e cinzenta.
A fissura e desejo de uso que retorna com voracidade, inexplicavelmente, após, a vivência de uma desintoxicação, estando a pessoa sóbria.
Quais as hipóteses possíveis: n:
- a sobriedade é uma vida amputada;
- funcionamento normôtico, sem vitalidade, alegria e bons encontros;
- e , especificamente, a problemática das percepções.
As sensações brutas e as paixões estão sob o domínio do cronos, não retornam...
Já as percepções e a arte são experiências que ocorre na ruptura com o tempo cronológico, podendo ser reativadas...
A ressônancia desta reativação gera uma forte vontade de uso... a fissura.
Então, a autonomia está em se produzir uma vida com singularidade, solidariedade , multiplicidade e investimentos potentes no universo perceptivo.
E o aprendizado de se bifurcar, criar outras saídas, quando do retorno destas percepções, protegendo-se não pela falta ou negatividade, mas pela criação, luta e afirmação de vida.
Re-encantemos a vida e o mundo...
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
A Fissura - I
Belissímo Porcelana e vulcão, de Gilles Deleuze (Lógica do sentido), sobre a fissura...
Estamos sem tempo agora, voltaremos a esse tema. Que tema!!! Se é que é tema... É uma coisa.
Estamos sem tempo agora, voltaremos a esse tema. Que tema!!! Se é que é tema... É uma coisa.
Zelda e Scott Fitzgerald
" têm tudo para felizes, como se diz belos, encantadores, ricos, superficiais e cheios de talento. E depois alguma coisa se passa fazendo com que eles se quebrem exatamente como um prato ou um copo."
Deleuze
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Um livro: um bom encontro
O conhecimento é mesmo labiríntico. Hoje pela manha visitei a Radio Deleuze como um pequeno e salutar hábito. Ali encontrei a revista Trahir, nessa encontrei a Manola Antonioli com o excelente artigo Singularités cartografiques que em nota de rodapé dá referências de um monte de livros sobre cartografia e filosofia, importantissímos para o meu trabalho! Dentre eles, o livro da própria Manola, GÉOPHILOSOPHIE DE DELEUZE ET GUATTARI. É aquilo de "não procuro, encontro". Já encomendei o livro. Vai vir no colinho...
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Para alguns Maria , para outros, Conceição. Em Sampa, a intempestiva Deusa, Diva
Caríssimos e caríssimas,
Dia 2 de dezembro, quinta-feira, às 19:00h, vamos receber Maria da Conceição Tavares em São Paulo, numa atividade em parceria com a revista Carta Capital.
Acontecerá na Casa de Portugal, na Liberdade. Além da conferência da professora, contaremos com a presença do economista Luiz Gonzaga Belluzzo.
Ao final, o lançamento do livro da Editora Fundação Perseu Abramo, "Leituras críticas sobre Maria da Conceição Tavares", organizado por Juarez Guimarães, em coedição com a Editora da UFMG.
Além de contar com sua presença, pedimos que nos ajude na divulgação, transmitindo este link aos seus colegas. A TV PT fará a gravação em imagem e áudio, com transmissão on-line pela internet.
Abraços e até lá.
Rogério Chaves
Coordenador editorial
Editora Fundação Perseu Abramo
(11) 5571-4299
www.efpa.com.br
www.fpa.org.br
Para participar do evento presencial, inscreva-se aqui.
LORCA JOVEM JÁ GRANDE POETA
A ORAÇÃO DAS ROSAS
Federico Garcia Lorca
I
AVE rosas, estrelas solenes!
Rosas, rosas, jóias vivas de infinito;
bocas, seios e almas vagas perfumadas;
prantos, beijos!, grãos, pólen da lua;
doces lotes das almas estancadas;
ave rosas, estrelas solenes!
Amigas de poetas
e de meu coração,
ave rosas, estrelas
de luminosa Sião!
Panidas, sim, Panidas;
o trágico Rubén
assim chamou em versos
o lânguido Verlaine,,
que era rosa sangrenta
e amarela também.
Deixai que assim os chame,
Panidas, sim, Panidas,
essência de um Éden,
de lábios dançarinos,
e seios de mulher.
Vós outros junto ao mármore
o sangue dele sois,
porém se fôsseis aroma
do vergel
em que os funos moram,
teríeis em vosso ser
uma essência divina:
Maria de Nazaré,
que esconde em vossos peitos
brancura de seu mel;
flor única e divina,
flor de Deus e Luzbel.
Flor eterna. Conjuro ao suspiro.
Flor grandiosa, divina, enervante,
flor de fauno e de virgem cristã,
flor de Vênus furiosa e tonante,
flor mariana celeste e sedante,
flor que é vida e fonte azul
do amor juvenil e arrogante
que em seu cálix as ânsias aclara.
do amor juvenil e arrogante
que em seu cálix as ânsias aclara.
O que seria a vida sem rosas!
Uma senda sem ritmo nem sangue,
um abismo sem noite nem dia.
Elas emprestam suas asas à alma
que sem elas a alma morria,
sem estrelas, sem fé, sem as claras
ilusões que a alma queria.
Elas são refúgio de muitos corações,
elas são estrelas que sentem o amor,
elas são silêncios que lentos escaparam
do eterno poeta noturno e sonhador,
e com ar e com céu e com luz se formaram,
por isso todas elas ao nascer imitaram
a cor e a forma de nosso coração.
Elas são as mulheres entre todas as flores,
tíbios sancta sanctorum da eterna poesia,
neáporis grandiosas de todo o pensamento,
cibórios de perfume que azul o vento bebe,
cromáticos enxames, pérolas do sentimento,
adornos das liras, poetas sem acento.
II
Mães de todo o belo,
sois eternas, magníficas, tristes
como tardes caladas de outubro,
que ao morrer, melancólicas, vagas,
uma noite de outono as cobre,
porque ao ser como sois a poesia
estais cheias de outono, de tardes,
de pesares, de melancolia,
de tristezas, de amores fatais,
de crepúsculo gris de agonia,
que sois tristes, ao ser poesia
que é uma água de vossos rosais.
Santas rosas divinas e várias,
esperanças, anelos, paixão,
deposito em vós outras, amigas;
dai-me um cálice vazio, já morto,
que em seu fundo, melancólico e deserto,
verterei meu fatal coração.
que em seu fundo, melancólico e deserto,
verterei meu fatal coração.
Ave, rosas, estrelas!
Rosas plenas de graça e amor,
o céu e a terra são vossos
e benditos serão os mestres
que proclamam a voz de tua flor.
E bendito será o belo fruto
de teu belo evangelho solene,
e bendito o teu aroma perene,
e bendito o teu pálido alvor.
Solitárias, divinas e graves,
soluçais, pois sois flores do amor,
soluçais pelos meninos que vos decepam,
soluçais por ser alma e ser flor,
soluçais pelos maus poetas
que não vos podem cantar com dor,
soluçai pela lua que vos ama,
soluçai por tanto coração
que na sombra vos escute calado,
e também soluçai por meu amor.
Ai! incensários carnais da alma,
chopinescas romanças de odor,
soluçais por meus beijos ocultos
que deu minha boca a vós.
Soluçai pela névoa de tumba
onde sangra o meu coração,
e em minha hora de estrela apagada,
que meus olhos se fechem ao sol,
sede meu branco e severo sudário,
chopinescas romanças de odor.
Ocultai-me em um vale tranqüilo,
e esperando minha ressurreição,
ide sorvendo com vossas raízes
a amargura de meu coração.
Rosas, rosas divinas e belas,
soluçai, pois sois flores de amor.
7 de maio de 1918, o poeta tinha então 19 anos
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
domingo, 28 de novembro de 2010
Vídeo aforismo do Amauri Ferreira
Muito bom Amauri. Adorável potência no seus vídeos filósoficos-poéticos. Parabéns. Todos são lindos. Escolhi para colocar aqui o que mais me impressionou: Despedida.
Rio de Janeiro - O que tem por trás dessa fumaça
Recebi do meu sobrinho, o querido Maurício, mesmo nome do meu filho, a dica do artigo que segue abaixo sobre a violência no Rio. O Maurício é um dos muitos cariocas que mudaram para São Paulo nas últimas décadas. Interessante isso de carioca morar em São Paulo. Quebra de tabus. Fim da provinciana disputa Rio São Paulo. E impressionante como os cariocas que vão pra São Paulo gostam de São Paulo. É impressionante como eu gosto do Rio e de São Paulo. Metrópoles. As mais doidas do Sul. Doidas, quero dizer, múltiplas. Sobre essa questão da violência no Rio de Janeiro, ando lendo, desconfiada das palavras, sobre o assunto. Tenho meditado. Nessa meditação, importa saber o que tem por trás dessa cortina de fumaça... Esse artigo parece esclarecer um pouco. Obrigada Maurício.
Nós que sabemos que o “inimigo é outro”, na expressão padilhesca, não podemos acreditar na farsa que a mídia e a estrutura de poder dominante no Rio querem nos empurrar.
Achar que as várias operações criminosas que vem se abatendo sobre a Região Metropolitana nos últimos dias, fazem parte de uma guerra entre o bem, representado pelas forças publicas de segurança, e o mal, personificado pelos traficantes, é ignorar que nem mesmo a ficção do Tropa de Elite 2 consegue sustentar tal versão.
O processo de reconfiguração da geopolítica do crime no Rio de Janeiro vem ocorrendo nos últimos 5 anos.
De um lado Milícias, aliadas a uma das facções criminosas, do outro a facção criminosa que agora reage à perda da hegemonia.
Exemplifico. Em Vigário Geral a polícia sempre atuou matando membros de uma facção criminosa e, assim, favorecendo a invasão da facção rival de Parada de Lucas. Há 4 anos, o mesmo processo se deu. Unificadas, as duas favelas se pacificaram pela ausência de disputas. Posteriormente, o líder da facção hegemônica foi assassinado pela Milícia. Hoje, a Milícia aluga as duas favelas para a facção criminosa hegemônica.
Processos semelhantes a estes foram ocorrendo em várias favelas. Sabemos que as milícias não interromperam o tráfico de drogas, apenas o incluíram na listas dos seus negócios juntamente com gato net, transporte clandestino, distribuição de terras, venda de bujões de gás, venda de voto e venda de “segurança”.
Sabemos igualmente que as UPPs não terminaram com o tráfico e sim com os conflitos. O tráfico passa a ser operado por outros grupos: milicianos, facção hegemônica ou mesmo a facção que agora tenta impedir sua derrocada, dependendo dos acordos.
Estes acordos passam por miríades de variáveis: grupos políticos hegemônica na comunidade, acordos com associações de moradores, voto, montante de dinheiro destinado ao aparado que ocupa militarmente, etc.
Assim, ao invés de imitarmos a população estadunidense que deu apoio às tropas que invadiram o Iraque contra o inimigo Sadan Husein, e depois, viu a farsa da inexistência de nenhum dos motivos que levaram Bush a fazer tal atrocidade, devemos nos perguntar: qual é a verdadeira guerra que está ocorrendo?
Ela é simplesmente uma guerra pela hegemonia no cenário geopolítico do crime na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
As ações ocorrem no eixo ferroviário Central do Brasil e Leopoldina, expressão da compressão de uma das facções criminosas para fora da Zona Sul, que vem sendo saneada, ao menos na imagem, para as Olimpíadas.
Justificar massacres, como o de 2007, nas vésperas dos Jogos Pan Americanos, no complexo do Alemão, no qual ficou comprovada, pelo laudo da equipe da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, a existência de várias execuções sumárias é apenas uma cortina de fumaça que nos faz sustentar uma guerra ao terror em nome de um terror maior ainda, porque oculto e hegemônico.
Ônibus e carros queimados, com pouquíssimas vítimas, são expressões simbólicas do desagrado da facção que perde sua hegemonia buscando um novo acordo, que permita sua sobrevivência, afinal, eles não querem destruir a relação com o mercado que o sustenta.
A farça da operação de guerra e seus inevitáveis mortos, muitos dos quais sem qualquer envolvimento com os blocos que disputam a hegemonia do crime no tabuleiro geopolítico do Grande Rio, serve apenas para nos fazer acreditar que ausência de conflitos é igual à paz e ausência de crime, sem perceber que a hegemonização do crime pela aliança de grupos criminosos, muitos diretamente envolvidos com o aparato policial, como a CPI das Milícias provou, perpetua nossa eterna desgraça: a de acreditar que o mal são os outros.
Deixamos de fazer assim as velhas e relevantes perguntas: qual é a atual política de segurança do Rio de Janeiro que convive com milicianos, facções criminosas hegemônicas e área pacificadas que permanecem operando o crime? Quem são os nomes por trás de toda esta cortina de fumaça, que faturam alto com bilhões gerados pelo tráfico, roubo, outras formas de crime, controles milicianos de áreas, venda de votos e pacificações para as Olimpíadas? Quem está por trás da produção midiática, suportando as tropas da execução sumária de pobres em favelas distantes da Zona Sul? Até quando seremos tratados como estadunidenses suportando a tropa do bem na farsa de uma guerra, na qual já estamos há tanto tempo, que nos faz esquecer que ela tem outra finalidade e não a hegemonia no controle do mercado do crime no Rio de Janeiro?
Mas não se preocupem, quando restar o Iraque arrasado sempre surgirá o mercado financeiro, as empreiteiras e os grupos imobiliários a vender condomínios seguros nos Portos Maravilha da cidade.
Sempre sobrará a massa arrebanhada pela lógica da guerra ao terror, reduzida a baixos níveis de escolaridade e de renda que, somadas à classe média em desespero, elegerão seus algozes e o aplaudirão no desfile de 7 de setembro, quando o caveirão e o Bope passarem.
Fotos: Cláudio Lara
A Guerra do Rio – A farsa e a geopolítica do crime
José Cláudio Souza Alves - 25/11/2010
Nós que sabemos que o “inimigo é outro”, na expressão padilhesca, não podemos acreditar na farsa que a mídia e a estrutura de poder dominante no Rio querem nos empurrar.
Achar que as várias operações criminosas que vem se abatendo sobre a Região Metropolitana nos últimos dias, fazem parte de uma guerra entre o bem, representado pelas forças publicas de segurança, e o mal, personificado pelos traficantes, é ignorar que nem mesmo a ficção do Tropa de Elite 2 consegue sustentar tal versão.
O processo de reconfiguração da geopolítica do crime no Rio de Janeiro vem ocorrendo nos últimos 5 anos.
De um lado Milícias, aliadas a uma das facções criminosas, do outro a facção criminosa que agora reage à perda da hegemonia.
Exemplifico. Em Vigário Geral a polícia sempre atuou matando membros de uma facção criminosa e, assim, favorecendo a invasão da facção rival de Parada de Lucas. Há 4 anos, o mesmo processo se deu. Unificadas, as duas favelas se pacificaram pela ausência de disputas. Posteriormente, o líder da facção hegemônica foi assassinado pela Milícia. Hoje, a Milícia aluga as duas favelas para a facção criminosa hegemônica.
Processos semelhantes a estes foram ocorrendo em várias favelas. Sabemos que as milícias não interromperam o tráfico de drogas, apenas o incluíram na listas dos seus negócios juntamente com gato net, transporte clandestino, distribuição de terras, venda de bujões de gás, venda de voto e venda de “segurança”.
Sabemos igualmente que as UPPs não terminaram com o tráfico e sim com os conflitos. O tráfico passa a ser operado por outros grupos: milicianos, facção hegemônica ou mesmo a facção que agora tenta impedir sua derrocada, dependendo dos acordos.
Estes acordos passam por miríades de variáveis: grupos políticos hegemônica na comunidade, acordos com associações de moradores, voto, montante de dinheiro destinado ao aparado que ocupa militarmente, etc.
Assim, ao invés de imitarmos a população estadunidense que deu apoio às tropas que invadiram o Iraque contra o inimigo Sadan Husein, e depois, viu a farsa da inexistência de nenhum dos motivos que levaram Bush a fazer tal atrocidade, devemos nos perguntar: qual é a verdadeira guerra que está ocorrendo?
Ela é simplesmente uma guerra pela hegemonia no cenário geopolítico do crime na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
As ações ocorrem no eixo ferroviário Central do Brasil e Leopoldina, expressão da compressão de uma das facções criminosas para fora da Zona Sul, que vem sendo saneada, ao menos na imagem, para as Olimpíadas.
Justificar massacres, como o de 2007, nas vésperas dos Jogos Pan Americanos, no complexo do Alemão, no qual ficou comprovada, pelo laudo da equipe da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, a existência de várias execuções sumárias é apenas uma cortina de fumaça que nos faz sustentar uma guerra ao terror em nome de um terror maior ainda, porque oculto e hegemônico.
Ônibus e carros queimados, com pouquíssimas vítimas, são expressões simbólicas do desagrado da facção que perde sua hegemonia buscando um novo acordo, que permita sua sobrevivência, afinal, eles não querem destruir a relação com o mercado que o sustenta.
A farça da operação de guerra e seus inevitáveis mortos, muitos dos quais sem qualquer envolvimento com os blocos que disputam a hegemonia do crime no tabuleiro geopolítico do Grande Rio, serve apenas para nos fazer acreditar que ausência de conflitos é igual à paz e ausência de crime, sem perceber que a hegemonização do crime pela aliança de grupos criminosos, muitos diretamente envolvidos com o aparato policial, como a CPI das Milícias provou, perpetua nossa eterna desgraça: a de acreditar que o mal são os outros.
Deixamos de fazer assim as velhas e relevantes perguntas: qual é a atual política de segurança do Rio de Janeiro que convive com milicianos, facções criminosas hegemônicas e área pacificadas que permanecem operando o crime? Quem são os nomes por trás de toda esta cortina de fumaça, que faturam alto com bilhões gerados pelo tráfico, roubo, outras formas de crime, controles milicianos de áreas, venda de votos e pacificações para as Olimpíadas? Quem está por trás da produção midiática, suportando as tropas da execução sumária de pobres em favelas distantes da Zona Sul? Até quando seremos tratados como estadunidenses suportando a tropa do bem na farsa de uma guerra, na qual já estamos há tanto tempo, que nos faz esquecer que ela tem outra finalidade e não a hegemonia no controle do mercado do crime no Rio de Janeiro?
Mas não se preocupem, quando restar o Iraque arrasado sempre surgirá o mercado financeiro, as empreiteiras e os grupos imobiliários a vender condomínios seguros nos Portos Maravilha da cidade.
Sempre sobrará a massa arrebanhada pela lógica da guerra ao terror, reduzida a baixos níveis de escolaridade e de renda que, somadas à classe média em desespero, elegerão seus algozes e o aplaudirão no desfile de 7 de setembro, quando o caveirão e o Bope passarem.
Vista parcial do Complexo do Alemão
Fotos: Cláudio Lara
Estudando sufi
Tenho que estudar um monte de coisas hoje, mas acordei fissurada no sufi. Dança do amor. No sufi whirling. Dança da meditação.
Oh, dia, levanta! Os átomos dançam,
As almas, loucas de êxtase dançam.
A abóbada celeste, por causa deste Ser, dança,
Ao ouvido te direi aonde a leva sua dança.
Violência contra as mulheres
TODA A MULHER TEM UM DESEJO DE (SER) MULHER
”Ela tem um desejo de mulher. Desejo de quê? Mas do Todo, do Grande Todo Universal(....) A este desejo imenso, profundo, vasto como o mar, ela sucumbe, e deixa-se nele adormecer. Neste momento, sem lembranças, sem ódios nem pensamentos de vingança, inocente apesar de tudo, ela adormece na planície, confiante e entregue tal como a ovelha ou a pomba, descontraída e aberta, e se ouso dizer, apaixonada.
Ela dormiu e sonhou…o mais belo sonho. E como dize-lo? É que o monstro maravilhoso da vida universal, estava nela contido; e para lá da vida e da morte, tudo se mantinha no seu ventre e que ao fim de tantas dores ela deu à Luz a Natureza”
Recebi da querida amiga Maud Lageiste uma corrente de e-mail solicitando assinatura de uma petição para que sejam tomadas medidas governamentais que possam conter a violência contra as mulheres na França. Poxa, fico até sem palavras diante dessa informação: um país como a França ainda conta com esse tipo de problema!!! Na França de Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir, de Jane Birkin e Serge Gainsbourg, mulher ainda leva porrada pelo fato de ser mulher! Ainda sexista o povo que fez uma revolução há mais de 300 anos e afirmou ao mundo: igualdade, liberdade, fraternidade!!!
Quase todos os dias da minha vida senti na pele a violência contra a mulher. Violência de palavras, olhares, gestos, julgamentos. Nunca recebi uma agressão física. Ainda bem. Mas já presenciei várias agressões físicas de homens contra mulheres. Terríveis!
Além da agressão física, não é mole também receber toda a carga simbólica contra a mulher que os homens carregam, e muitas vezes as próprias mulheres também carregam ou sustentam. Quanto mais a gente envelhece, mais sente o enorme preconceito que ainda existe contra as mulheres. Ando muito sensível nisso, especialmente depois que passei a estudar o pensamento de Deleuze-Guattari sobre a linguagem como palavra de ordem. Isso desenvolveu meu feeling e hoje percebo, sinto, meu coração dispara diante da palavra de ordem contra a mulher e do pensamento com imagem sobre a mulher, inclusive no pensamento mais avançado (filosofia, poesia, música, ciência etc). Fico besta quando alguém relaciona mulher à fragilidade e submissão, quase como sinônimos. Como estão por fora os que pensam assim. Só um dado básico: mais de 50% das famílias brasileiras são encabeçadas (sustentandas) por mulheres. E o pessoal ainda diz "frágil" e "submissa"!!!! Foi o francês, psicanalista, Jacques Lacan que disse no século XX "La femme n´exite pas" . É dolorido isso. E espantoso. Humano , demasiadamente humano. Por falar nisso, uma hora dessas vou fazer um acerto de contas com o pensamento de Nietzsche sobre as mulheres. Aliás, na filosofia contemporânea o machismo, o FALO, ainda é muito forte... Digo ainda porque está mudando e vai mudar mais, muito mais, as mulheres estão chegando na Filosofia. Chegando com força. Que seja uma força pela paz e amor entre homens e mulheres.
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