Há uma certa facilidade na boca e na pena dos homens de relacionar mulher aos adjetivos frágil, submissa e inexpressiva.

Quantas vezes cada homem não experimentou a condição de frágil, submisso e inexpressivo?
Quantas vezes cada homem se apoiou numa mulher para não se sentir frágil, submisso e inexpressivo?
Mas, há uma nova conversa entre mulheres e homens. Pensamento sem imagem.
Há uma nova Hera na relação mulher-homem, homem-mulher.
Por homens e mulheres com cabeças coladas aos corpos, cabeças pesquisadoras.
" Ariadne esqueceu Teseu, que já não é nem sequer uma má recordação. Teseu jamais retornará. O labirinto já não é o caminho no qual nos perdemos, porém o caminho que retorna. O labirinto já não é o do conhecimento e da moral, e sim o da vida e do Ser como vivente." Deleuze
"Não sou matrona, mãe dos Gracos, Cornélia,
sou é mulher do povo, mãe de filhos, Adélia.
Faço comida e como.
Aos domingos bato o osso no prato pra chamar o cachorro
e atiro os restos.
Quando dói, grito ai,
quando é bom, fico bruta.
As sensibilidades sem governo.
Mas tenho meus prantos,
claridades atrás do estômago humilde
e fortíssima voz pra cânticos de festa.
Quando escrever o livro com o meu nome
e o nome que eu vou pôr nele, vou com ele a uma igreja,
a uma lápide, a um descampado,
para chorar, chorar, e chorar,
requintada e esquisita como uma dama."
Adélia Prado
O além-do-homem é o vivente das cavernas e dos cumes, a única criança que se concebe pela orelha, o filho de Ariadne e do Touro.