Depois de uma fila de banco, fui a uma livraria, pedi um um café e espiei livros. Uma loucura uma livraria: o que há de energia humana numa livraria não é para qualquer um, não é para qualquer pele. Para mim é muita emoção ficar numa livraria durante uma hora espiando poetas, filósófos, santos, artistas e tudo que é tipo de obra-pensamento, vontade de potência. E tem toda a emoção de escolher o livro que se vai comprar. E falar com o vendedor, com o caixa, com a moça do café, eventualmente outro cliente. Os olhares, as pessoas, as pessoas sendo numa livraria.

Hoje comprei três livros no meu trabalhando-vagabundeando. Gastei menos de R$ 50 para trazer para a minha toca nada mais nada menos que um livro fantástico, Heráclito; um outro mais fantástico ainda , A arte de passear, e o terceiro Sacher-Masoch, do Deleuze. Putz ! É grande demais para mim.
Tive que tomar uma cerveja para acalmar o coração. Aí passei no buteco da Lurdes, minha amiga, para quem eu sempre recomendo " Lurdes, bota o nome nisso aqui de Buteco das Mulheres, pois é o único buteco que conheço em que uma mulher pode beber sem se sentir mulher. Esquece-se que é mulher. Esquece-se até que se é... Esquecer de que se é, só ir sendo, é bom demais. Tomei uma Serra Malte. Tudo pianinho outra vez.
Uma hora o passeio tem que acabar. Mas não acaba na verdade, vira outro tipo de passeio. Agora, por exemplo, vou passear na história do Brasil, pois devo escrever um artigo sobre a Revolução de 1930 e a industrialização de São Paulo. É um passeio sim, mas esse não é grande demais para mim.
Grande demais para mim vai ser passeio mais tarde quando eu for ler o Sacher-Masoch. Pauleira esse passeio. Imagino que sim. Muito gostoso o texto do Deleuze, fácil de entender (diferentemente de outros livros dele) , mas o tema é foda: frieza e crueldade, masoquismo, sadismo. Credo!!! Mas ler Deleuze é fundamental. Cura! Impressionante como Deleuze é feiticeiro, bruxo, curandeiro. Uma página dele vale por 150 sessões de psicoterapia de qualquer tipo. Aqui em casa, meu filho brinca comigo "seu Deusleuze". Sim Deusleuze! Mesmo sabendo que a gente não deve sacralizar nada nessa vida... Nadinha mesmo, menos o Deusleuze e os bruxos que o habitam, muito para além do homem, para além da vida.
Bom, depois do Deleuze vou passear outra vez. Voar. Voar também uma arte.
Vai aí a dica de um link, muito bom, mais um blog amigo no Ciberespaço, máquina de guerra: Radio Deleuze.
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