Ariadne se alivia com Dioníso, descarregada. A alma torna-se ativa, ao mesmo tempo que o Espírito revela a verdadeira natureza da afirmação. Transmutação de Ariadne diante da aproximação de Dioníso: sendo Ariadne a alma que agora corresponde ao Espírito que diz sim.
Por que Dioníso tem necessidade de Ariadne, ou de ser amado? É que Dioníso é o deus da afirmação; é necessária uma segunda afirmação para que a própria afirmação seja afirmada. Dioníso é a afirmação do Ser, mas Ariadne é a afirmação da afirmação, a segunda afirmação ou o devir-ativo. Para Ariadne, passar de Teseu a Dioníso é uma questão de saúde e de cura. Dioníso precisa de Ariadne. Dioníso é a afirmação pura; Ariadne é a alma, a afirmação redobrada, o sim que responde ao sim. É bem nesse sentido que o Eterno Retorno é o produto da união entre Dioníso e Ariadne. Ser do devir, o Eterno Retorno é o produto de uma dupla afirmação que faz retornar o que se afirma e só faz devir o que é ativo. Nem as forças reativas nem a vontade de negar retornarão porque são eliminadas pela transmutação, pelo Eterno Retorno que seleciona.
Ariadne esqueceu Teseu, que já não é nem sequer uma má recordação. Teseu jamais retornará. O labirinto já não é o caminho no qual nos perdemos, porém o caminho que retorna. O labirinto já não é o do conhecimento e da moral, e sim o da vida e do Ser como vivente."
Gilles Deleuze - O mistério de Ariadne segundo Nietzsche
Gravura de Agostino Carracci
Baco e Ariadne 1523 Tizian
Ariadne em Naxos 1820 John Vanderlyn
"Eu, Ariadne,
caminho no que teço,
no que vomito
da náusea de fiar
os novelos exatos."
Labirinto - Myriam Fraga
Baco e Ariadne 1821 Antoine Joan
Ariadne em Naxos 1877 Evelin de Morgan
“Te atravesso com a espada
de meus gritos,
tua solidão é minha
como os mitos
com que teço esta rede
armadilha de seda,
projeto para o sono
deste monstro que habita
os labirintos.”
Labirinto - Myriam Fraga
Ariadne Venus e Baco 1576 Tintoreto
Abaixo, trecho da ópera Ariadne auf Naxos de Richard Strauss pela fantástica Anna Tomowa
"Eu, Ariadne,
caminho no que teço,
no que vomito
da náusea de fiar
os novelos exatos."
Labirinto - Myriam Fraga
Baco e Ariadne 1821 Antoine Joan
Ariadne em Naxos 1877 Evelin de Morgan
“Te atravesso com a espada
de meus gritos,
tua solidão é minha
como os mitos
com que teço esta rede
armadilha de seda,
projeto para o sono
deste monstro que habita
os labirintos.”
Labirinto - Myriam Fraga
Ariadne Venus e Baco 1576 Tintoreto
Abaixo, trecho da ópera Ariadne auf Naxos de Richard Strauss pela fantástica Anna Tomowa
O labirinto
"Este é o labirinto de Creta. Este é o labirinto de Creta cujo centro foi o Minotauro. Este é o labirinto de Creta cujo centro foi o Minotauro que Dante imaginou como um touro com cabeça de homem e em cuja rede de pedra se perderam tantas gerações. Este é o labirinto de Creta cujo centro foi o Minotauro, que Dante imaginou como um touro com cabeça de homem e em cuja rede de pedra se perderam tantas gerações como Maria Kodama e eu nos perdemos. Este é o labirinto de Creta cujo centro foi o Minotauro, que Dante imaginou como um touro com cabeça de homem e em cuja rede de pedra se perderam tantas gerações como Maria Kodama e eu nos perdemos naquela manhã e continuamos perdidos no tempo, esse outro labirinto." Jorge Luis Borges

MINOPAUTA
Myriam Fraga
Não te mires no espelho
Côncavo das virtudes.
Esquece o labirinto.
Não cogites,
Devora.
MINOGRAM
Don’t look
In the concave mirror
Of virtue.
Forget the labyrinth.
Don’t think,
Devour.
Uau!
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