sábado, 11 de setembro de 2010

MangueGuará - Viva a Vida em Cubatão

Foto: Rolando Roebbelen - O descanso dos Guarás - Mangue de Cubatão

Muito interessante o projeto MangueGuará Viva a Vida em Cubatão. Trata-se de iniciativa da Associação Civil Cidadania Brasil - ACCB, do Centro Guará Vermelho de Estudos Ambientais da Prefeitura Municipal de Cubatão e do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Católica de Santos .
O objetivo do projeto é a preservação e conservação das áreas remanescentes e restauração das áreas degradadas dos manguezais do município de Cubatão, no Estado de São Paulo. O projeto promete criar, difundir e aplicar conhecimentos científicos, técnicos, educacionais e comunicativos sobre o ecossistema manguezal de Cubatão.

Em Estudos e Pesquisa será realizado, por exemplo, o  Estudo e Monitoramento da Avifauna dos Manguezais de Cubatão, com foco no Eudocimus ruber, o famosos pássaro Guará ou Guará Vermelho. Outro interessante Estudo é o da Flora dos Mangues de Cubatão.   Ambos, serão coordenados pelo Centro de Estudos Guará Vermelho de Estudos Ambientais da Prefeitura de Cubatão.


Foto: Janaina da Nóbrega Moraes - Parabignonia unguiculata - Mangue de Cubatão

MangueGuará Viva a Vida em Cubatão vai também monitorar a água e o ar das áreas de manguezais em Cubatão através de um conjunto de pesquisas e estudos pelo Grupo de Saúde Coletiva e do Instituto de Pesquisas da Universidade Católica de Santos.


Foto: Bruno de Almeida Lima - Garça Branca Grande - Manguezal de Cubatão

Em  Educação Ambiental,  serão qualificados 60 professores para multiplicarem em suas escolas as técnicas de biomonitoramento. 60 jovens de 16 a 19 anos serão incentivados e sensibilizados para exercerem o protagonismo juvenil em suas comunidades e 60 líderes das comunidades participarão dos Espaços de Discussão para construir conhecimentos em sistemas ecosustentáveis e qualificação da percepção pró-ativa de risco ambiental.  

Mais de 35 mil pessoas habitam os bairros instalados nas áreas de manguezais em Cubatão:  Vila Esperança com 18.794 habitantes; Vila dos Pescadores com 10.502 habitantes e Jardim Costa e Silva com 3.800 habitantes com previsão de aumento de mais 2.052 devido à projeto habitacional na localidade. Total: 35.148.



Foto: Rolando Roebellen - Pescador ignora favela e poluição em busca do alimento - Manguezal de Cubatão

Em Comunicação, o projeto MangueGuará pretende envolver toda a cidade na campanha Conheça e Defenda o Mangue e no Festival do Mangue. Vai ainda criar o Banco de Dados e Conhecimento do Mangue e a Rede Mangue. 
Foto: Rolando Roebellen - Mesmo duramente agredido, manguezal reage - Manguezal de Cubatão

Foto: Rolando Roebellen - Guarás se alimentando do lodo do mangue - Manguezal de Cubatão

Foto: Bruno de Almeida Lima - Casal de Trinta Réis Real - Manguezal de Cubatão

Foto: Rolando Roebellen - Poluição avanço dos casebres sobre o mangue - Mangue de Cubatão


Foto: Janaina da Nóbrega Moraes - Cattleia intermedia - Manguezal de Cubatão


Equipe
A equipe do projeto MangueGuará é de primeira linha. A coordenação científica e técnica é do Dr. Alfésio Braga, médico, epidemiologista, pesquisador e professor do Programa de Saúde Coletiva da Unisantos, pós doutor em Medicina pela Universidade de Harvard e doutor pela Faculdade de Medicina da USP. Cada uma das entidades parceiras conta com seu coordenador científico para colaborar com a coordenação geral. Pela ACCB, o Dr Ubiratan de Paula Santos, médicio, pneumologista, doutor em medicina pela Faculdade de Medicina da USP. Na Unisantos, o Dr. Luiz Alberto Amador Pereira, médico, também doutor e professor da Faculdade de Medicina da USP. Pelo Centro Guará Vermelho, a coordenação de Julio Cesar de Souza Chaves, jornalista e ambientalista.  Além desses, o projeto conta com a participação de vários pesquisadores, inclusive, articulando as suas ações de estudos e pesquisas com a educação ambiental e a comunicação.
Em educação ambiental, o projeto conta com pesquisadores de fronteira , Nilva Nunes Campina e Ana Lucia de Mello, ambas biólogas, doutoras pela Faculdade de Medicina da USP com pesquisas em educação socioambiental.

A coordenação institucional de MangueGuará cabe a Marco César Aga, presidente do Conselho Administrativo da Associação Civil Cidadania Brasil-ACCB, gestora e coordenadora do projeto.

A equipe conta ainda com vários jornalistas e pessoas com formações e experiências  diversas, formando uma comunidade multidisciplinar. 

 MangueGuará quer construir  
Inteligência Coletiva

conforme texto a seguir, em que se apresenta a justificativa do projeto:


“Anuncia-se uma grande tragédia humana”
É o que o experiente geógrafo e conhecedor da realidade cubatense, Aziz Ab’Sáber, prognostica sobre a evolução das condições de saúde e meio ambiente em Cubatão. Para que isso não se torne realidade, é decisiva a participação organizada e qualificada do poder público local e da sociedade cubatense. Só assim podem ser atingidos equilíbrios metaestáveis e se obter desenvolvimento que proteja e valorize as riquezas naturais e humanas.

Manguezais de Cubatão: âmago da cidade, berçário da vida
Muito que seja feito ainda será pouco para melhoria das condições de vida humana e do meio ambiente em Cubatão. Temos, portanto, aguda consciência de que a resolução do conjunto dos problemas socioambientais de Cubatão demanda por políticas e ações públicas e privadas de grande envergadura, investimentos e coordenação. O projeto MangueGuará Viva a Vida em Cubatão é uma referência, um ponto de inflexão, na conduta da cidadania. A insuficiente organização, mobilização e ação da sociedade cubatense é um dos fatores que contribui para que a cidade, apesar de melhorias que vêm alcançando, continue a ser marcada por grandes e complexos problemas socioambientais. Parte-se do reconhecimento, portanto, que a tarefa Cubatão é grande demais para um projeto relativamente modesto como esse, por melhores que sejam os parceiros e causas, mas um projeto necessário para colaborar com a preservação, conservação e restauração de ecossistema importantíssimo para a cidade e para a vida. Preservar, conservar e restaurar os manguezais é tocar no âmago da cidade e no berçário da vida. E isso não pode ser feito de forma improvisada. Fundamental mobilizar a inteligência e a colaboração de todos para que se avance na perspectiva de se ter meio ambiente saudável para a vida humana, animal e vegetal.

Crescer com inteligência, protegendo e valorizando as riquezas naturais e humanas

Dos ecossistemas da Baixada Santista, o manguezal de Cubatão é dos mais degradados. Em 1991, somente 17% dos 29 km2 eram remanescentes, o restante degradado por processo natural, poluição ou ocupação. Esses dados precisam ser atualizados, mas eles nos levam à suspeita de que a situação pode ter piorado passados quase 20 anos da avaliação, mas podem também nos fazer interrogar: não teria melhorado? Afinal, melhoraram os níveis de poluição do ar na cidade e o manguezal tem as suas dinâmicas naturais de recuperação. Mas também é inevitável perguntar: o que acontecerá daqui para frente? Pois tudo indica que haverá um grande surto de desenvolvimento portuário e industrial na região com fortes impactos sobre os seus mananciais..

MangueGuará Viva a Vida em Cubatão quer contribuir com as sinergias e soluções para enfrentar esses desafios, entendendo que, além do governo e das empresas, os vários segmentos sociais devem participar desse processo. Sem a participação da sociedade, corre-se o risco de se ter uma hegemonia tecnicista nefasta. As soluções técnicas são importantes, mas a população deve estar qualificada a entendê-las, debatê-las e, se for o caso, propor alternativas. Por isso, os moradores da cidade serão estimulados e mobilizados por esse projeto a conhecerem o ecossistema em que vivem e, assim, estarem capacitados a defenderem o desenvolvimento nacional e regional como oportunidade para ampliar a sustentabilidade social e natural.

Qualificar a cidade para a gestão ambiental

Gerar novos conhecimentos, reconhecer e sistematizar conhecimentos já existentes voltados à preservação, conservação e restauração das áreas de manguezal de Cubatão, bem como disponibilizá-los e divulgá-los, são ações fundamentais para aportar, subsidiar e orientar os atores da cidade e da região que atuam em gestão e educação ambiental. Sem conhecimento sistematizado e testado, podem até mesmo ocorrer ações movidas por boas intenções porém perniciosas, como se observou em diferentes iniciativas. Observa-se que conhecimentos disponíveis encontram-se dispersos, muitas vezes não incorporados à gestão ambiental por serem desconhecidos, provocando descompasso entre ação e conhecimento, o que significa alto desperdício. Além disso, a geração desses conhecimentos não é continuada e termina por perder validade por falta de programas permanentes de estudos, pesquisas e educação ambiental. Importantíssimo nesse sentido fortalecer, equipar e qualificar o Centro Guará Vermelho de Estudos Ambientais como órgão permanente de estudos e educação ambiental. A transferência de competências e a cooperação entre essa instituição municipal e a Universidade Católica de Santos, propiciadas por esse projeto, são fundamentais para criar métodos de estudos e trabalho especificamente voltado aos manguezais.

Criação de inteligência coletiva e mobilização das competências

A geração e difusão de conhecimentos sobre os manguezais de Cubatão permitirá a criação na cidade e região de uma inteligência coletiva que, conforme Pierre Lévy  “é uma inteligência distribuída por toda a parte, incessantemente valorizada, coordenada em tempo real, que resulta em uma mobilização efetiva das competências. Acrescentemos à nossa definição este complemento indispensável: a base e o objetivo da inteligência coletiva são o reconhecimento e o enriquecimento mútuo de pessoas, e não o culto de comunidades fetichizadas ou hipostasiadas.” A criação dessa inteligência coletiva é muito apropriada à complexa realidade local e ao mundo contemporâneo. Em primeiro lugar, porque ela parte do axioma “ninguém sabe tudo, todos sabem alguma coisa, todo o saber está na humanidade” , ou seja, “não existe reservatório de conhecimento transcendente, e o saber não é nada além do que as pessoas sabem.” Mas é preciso de fato exercer esse reconhecimento, o que é possível graças ao projeto que não só identifica a inteligência, o bem mais precioso da humanidade, mas também a desenvolve e a emprega. Essas inteligências precisam ainda ser coordenadas em tempo real, possibilitando a todos interagir através de agenciamentos de comunicação. Agenciamentos esses que são de diversas naturezas e se utilizando de diversos meios. Agenciamentos de vizinho com vizinho, colega com colega, professor com aluno, professor com professor, cientista com estudante, líder comunitário com cientista, apenas para aventar algumas das possibilidades a serem construídas por esse projeto.

Conforme Boaventura Santos bem exprimiu: "Se eu quero ir à lua, necessito de conhecimento científico; mas se eu quero preservar a biodiversidade, preciso também do conhecimento indígena e camponês." No caso de manguezais, conhecimento dos pescadores, dos ecologistas, dos amantes da natureza, dos artistas, dos moradores do entorno, enfim, de todos aqueles que, além do cientistas e técnicos, possuam algum tipo de conhecimento sobre a realidade em que vivem. MangueGuará Viva a Vida em Cubatão reconhece, valoriza e mobiliza esses conhecimentos e lhes agrega conhecimentos dotados de rigor científico e apoiados em metodologias que permitem quantificar, qualificar, sistematizar, relacionar, criar técnicas e métodos de ação.

Construir valores, habilidades e atitudes em prol da saúde

O projeto adota método de educação socioambiental que vai muito além da transmissão de informações, pois possibilita a criação de conhecimentos pela própria comunidade com potencial de mudar valores e atitudes dos habitantes dos manguezais para com o seu entorno, muitas vezes utilizado como depositório de lixo e alvo dos mais diversos tipos de vandalismo como, por exemplo, da caça e pesca predatória, até mesmo do belo pássaro que é símbolo da cidade, e desse projeto, o sensível Eudocimus ruber, popularmente conhecido como Guará Vermelho. Além de ser agente de degradação, parcelas consideráveis da população têm baixa percepção de risco impedindo atitudes de precaução e prevenção diante de riscos, até mesmo daqueles graves e eminentes.

Ao se observar algumas características do ensino hoje no Brasil, percebe-se que as escolas de ensino fundamental e médio apresentam um caminho bastante interessante para estudiosos da área ambiental que almejam aumentar a proximidade com a comunidade não acadêmica. A necessidade dos sistemas de ensino de trabalhar a educação ambiental, a possibilidade de discussões sólidas e sistemáticas, além da perspectiva de alcançar um número significativo e constante de pessoas em plena formação, fazem da escola um local promissor para o propósito da divulgação científica. Para que se alcance, de fato, a educação ambiental em seu sentido completo faz-se necessária a educação escolar sistemática, há muito reconhecida como de importância basilar para as questões ambientais.

Muitos trabalhos de desenvolvimento comunitário, em vários locais do mundo, têm partido de uma visão errônea de que é preciso encontrar soluções para as comunidades menos favorecidas economicamente e que os técnicos e especialistas são os que devem providenciá-las. Esse modelo, com poucas exceções, não tem levado a melhorias fundamentais. A educação ambiental, à medida que objetiva a participação do cidadão na busca de alternativas e soluções para os graves problemas locais e globais, permite que o indivíduo investigue, reflita, perceba os riscos à saúde e aja sobre os efeitos e causas desses problemas que afetam a qualidade de vida de todos.
Foto: Rolando Roebellen - Revoada dos Guarás no manguezal - Manguezal de Cubatão
Comunicação e informação como instrumento de transformação pessoal e coletiva

A educação ambiental não deve se restringir à sala de aula e às comunidades diretamente envolvidas no dia-a-dia com o manguezal. Através dos mais diversos tipos de comunicação (via internet, imprensa, rádios e televisões e mídias próprias.), o projeto informa, qualifica e mobiliza os cidadãos cubatenses para comportamentos e ações pró-ativas em defesa da qualidade de vida e preservação do meio ambiente. Enfocando-se as áreas de manguezal, aborda-se toda a cidade, pois esse ecossistema é central na vida urbana na medida em que acolhe nele boa parte dos moradores. O tema manguezal permite comunicar questões decisivas para a conservação integral do meio ambiente por ser berçário da vida, local de moradia e reprodução de diversas espécies, inclusive daquelas que garantem a produção alimentar.


Foto: Rolando Roebellen - Favelas dos Pescadores - Manguezal de Cubatão


Objetivos do projeto MangueGuará Viva a Vida em Cubatão

Objetivo geral: Contribuir para preservar e conservar as áreas remanescentes dos manguezais do município de Cubatão, Estado de São Paulo, e restaurar parte das suas áreas degradadas por poluição e ocupação, através da criação, difusão e aplicação de conhecimentos técnicos, científicos, educacionais e comunicativos sobre esse ecossistema central na vida da cidade e berçário da vida animal e vegetal. Espera-se ter uma avaliação mais precisa e atualizada das condições dos manguezais e aplicar esses conhecimentos para impedir que as áreas de remanescentes e em recuperação sejam atingidas por poluição e ocupação, além de buscar-se meios e métodos para recuperar parte das áreas degradas.

Objetivos específicos

Em Estudos e Pesquisas:

1 Contribuir para a capacitação de atores socioambientais que atuam na educação e nos órgão municipais relacionados à educação ou meio ambiente.

2 Identificar e resgatar experiências e conhecimentos científicos, técnicos e empíricos sobre manguezais que sejam úteis e oportunos para a preservação, conservação e restauração dos manguezais de Cubatão.

3 Atualizar e ampliar os conhecimentos sobre a ave Eudocimus ruber (Guará Vermelho), particularmente das razões de sua volta aos manguezais cubatenses, bem como da ausência de sua nidificação na região.

Foto: Janaina da Nóbrega Moraes 
Flora do Manguezal de Cubatão
4 Atualizar e ampliar o conhecimento sobre a flora do mangue de Cubatão, determinando a situação atual, as espécies dominantes, a sua distribuição ao longo da região e as tendências que se apresentam de variação da população.

5 Avaliar o nível atual de contaminação do ecossistema manguezal de Cubatão por metais pesados através da análise de amostras de crustáceos, águas e plantas.

6 Avaliar o nível de contaminação atmosférica na região dos manguezais de Cubatão por material particulado fino (PM2,5) e seu impacto na fauna e flora do ecossistema, bem como na saúde humana dos habitantes da região.

7 Produzir novos conhecimentos científicos sobre o ecossistema manguezal de Cubatão através de pesquisas de mestrado e iniciação científica.

Em Educação Ambiental

8 Implantar rede de aprendizagem com objetivo de formar professores do ensino básico para desenvolver projetos de investigação ambiental por meio de técnicas de biomonitoramento.

9 Instrumentalizar os professores para realizarem, em conjunto com os alunos, o monitoramento ambiental nas suas localidades.

10 Contribuir para o desenvolvimento e aprimoramento do protagonismo socioambiental dos jovens.

11 Formar rede comunicativa nas comunidades, qualificando a percepção de risco ambiental e estimulando ações ecoeficientes.

Em Comunicação

12 Contribuir para que a população cubatense conheça os manguezais da sua cidade, a importância deles para a vida e a necessidade de preservá-los, conservá-los e restaurá-los.

13 Contribuir para firmar o pássaro Guará Vermelho como símbolo da cidade e da sua riqueza ambiental.

14 Divulgar os conhecimentos científicos, técnicos e empíricos sobre os manguezais de Cubatão.

15 Disponibilizar e divulgar a produção científica, cultural e artística sobre os manguezais de Cubatão.

16 Contribuir para que os meios de comunicação locais, nacionais e mundiais obtenham e divulguem informações verídicas e de qualidade sobre os manguezais de Cubatão.

17 Estimular a criação de uma rede virtual de conhecimento e preservação de manguezais.

Um dos objetivos de comunicação é firmar o pássaro Guará Vermelho como símbolo da cidade.



Foto: Bruno de Almeida Lima - Guarás -  Manguezal de Cubatão

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